vou visitar o doente ao hospital. subo a escada
e conto os degraus. setenta e três. da janela da
ante câmara vê-se um jardim com dois amorinhos
afasto a cortina de repes e digo tété. ele está
a comer uma tacinha com compota de agriotas. eu
abano com a cabeça e faço cucu cucu e começo a
desembrulhar o meu presente esforçando-me por
não fuchicar muito com o papel. uma tigelinha
de chá de arruda. preferia uma latinha de popu
leão diz ele. sento-me guardando o maior silên
cio possível. ouve-se a micção do doente. fica d
e novo silêncio. sabes que o jardim está cheio
de meimendros e beladonas diz o doente. sim di
go eu e catarinetas. faz-se novo silêncio. que é
que diz o rádio pergunta o doente. que o tempo
vai aborrascado-se e o mundo anda cheio de dis
senções. novo silêncio. conheces algum jogo que
eu possa jogar pergunta o doente. a franca tri
pa digo eu. esse é muito excitante diz o doente
. então o pé coxinho. que loucura que loucura m
eu deus diz ele. então conta as moscas que and
am a voar aqui por cima. novo silêncio. não pos
so diz o doente. porquê pergunto eu. porque voam
tão depressa que uma parece duas e duas parec
em uma e muitas parecem poucas e poucas parec
em muitas e sete seriam muitas se parecessem m
uitas e quinze seriam poucas se parecessem pou
cas. ffilhas das putas das moscas digo eu.